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domingo, 15 de novembro de 2009

A concordância delicada dos verbos "fazer" e "haver" depende do lugar que assumem na frase












Os verbos "fazer" e "haver" têm algumas peculiaridades de significado, de natureza e de concordância, que devem ser levadas em consideração. A concordância delicada desses verbos depende do lugar que cada um deles assume numa sentença, porque a troca de função altera a forma como devemos encarar o verbo numa determinada frase. Essa troca de papéis faz com que o verbo se torne impessoal ou não, modificando a concordância verbal.


Fazer


Quando "fazer" concorda com o sujeito


Em seu sentido próprio (realizar, montar, fabricar, criar, entre outros significados paralelos), "fazer" tem sujeito, a ele se refere e com ele concorda:

Ela fez tudo. Tu e ela fareis o que eu mandar. Eles fazem anos no mesmo dia.


Quando "fazer" não tem sujeito

Em duas situações, "fazer" é impessoal, isto é, não tem sujeito, por isso fica invariável na 3a pessoa do singular:
Quando expressa fenômeno climático: Faz calor. Fazia muito frio. Fez um verão muito chuvoso.

Quando expressa tempo decorrido; se "fazer" aparece com verbo auxiliar, em locução, o auxiliar integra a construção impessoal e também fica na 3a pessoa do singular:

Faz dez anos que a conheci. (Não: "Fazem".)

Meu amigo casou-se faz dois anos. (Não: Casou-se "fazem" dois anos.)

Fará dez minutos que saiu. (Não: "Farão" dez minutos...)

Fazia horas que havia fugido. (Não: "Faziam")

Vai fazer três anos que o governo prometeu ... (Não: "Vão" fazer...)

Está fazendo cinco anos que se casou, mas não deu certo. (Jamais: "Estão" fazendo...)

Ocorre que a palavra ou expressão plural que aparece depois de "fazer" nesses exemplos é complemento, não sujeito; por isso o verbo não pode e não deve acompanhá-las no plural. É esse plural que induz pessoas distraídas a fazer a concordância indevida.

O verbo "haver" também funciona como verbo pessoal, com sujeito com o qual concorda, e como impessoal, sem sujeito, sempre no singular.


Quando "haver" concorda com o sujeito


Tem sujeito e concorda normalmente com ele quando, como sinônimo aproximado de "ter", forma tempos compostos:


Os deputados e senadores haviam planejado reajustar os próprios salários. ("Deputados e senadores" são o sujeito.)

Se houvessem vencido as eleições, não estariam chorando. ("Eles", subentendido, é o sujeito.)

Nunca haveremos de resolver o problema da lentidão da Justiça. ("Nós", subentendido, é o sujeito.)

Hei de vencer minha aversão aos políticos vivos e mortos. ("Eu", subentendido, é o sujeito.)


Quando "haver" não tem sujeito


Com sentido de outros verbos

"Haver" é impessoal, portanto sem sujeito, quando tem sentido de existir, estar, ocorrer, decorrer, fazer (na indicação de tempo passado). Assim, fica na 3º pessoa do singular. Também fica na 3º pessoa do singular o auxiliar do "haver" impessoal.

bons redatores naquela editora

Com a queda das bolsas, houve pessoas que se mataram.

É preciso que haja roupas para todos. Havia mortos e feridos nos destroços.
Havia mortos e feridos nos destroços

três anos não vê a mulher.

Estava havendo assaltos a mulheres desacompanhadas.


Tempo verbal


"Haver" tem de ser usado em correlação temporal com o outro verbo da frase. Isto é, se o ponto de referência é uma data passada, e não presente, deve-se usar o pretérito imperfeito (havia) e não o presente (há).


Ela estava naquela casa havia dez meses.

Havia três anos que começara a trabalhar.

Ela estava naquela casa havia dez meses.


Os verbos que "haver" impessoal substitui nessa condição variam normalmente. "Existir" e "ocorrer", por exemplo:


bons repórteres, mas: existem bons repórteres.

Havia roupas esplêndidas, mas: existiam roupas esplêndidas.

Havia assaltos no bairro, mas: ocorriam assaltos no bairro etc.

Só não varia "fazer", impessoal, se referido a tempo.


http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11711

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